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Jorge Fortunato
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Despertar da Primavera - o musical

No último sábado, a convite da minha querida Juliana, fui assistir ao musical O Despertar da Primavera em cartaz no Teatro Villa-Lobos. A peça, um drama, foi escrita pelo alemão Frank Wedekind no século XIX, mas foi proibida pela censura. Em 1906, o autor conseguiu apresentar o espetáculo com cortes em Berlin, porém após a estreia a montagem foi proibida e em 1908 foi vetada qualquer manifestação pública sobre a peça, sob pena de levar os infratores à prisão. Foram realizadas outras montagens fora da Alemanha, mas sempre com muitas restrições. A primeira montagem sem cortes aconteceu apenas em 1974 na Inglaterra. O belo texto de Wedekind atravessou o século XX e chega ao século XXI adaptado em musical pelo dramaturgo Steven Sater e musicada pelo compositor Duncan Sheik. Certamente Wedekind não poderia imaginar o seu drama transformado em rock-musical, cheio de canções pop e punk. O musical faz grande sucesso, conquista público e crítica, vence 8 categorias do Prêmio Tony e ganha montagens em diversos países. Aqui no Brasil chega pelas mãos de Charles Möeller e Claudio Botelho, não como uma réplica do espetáculo da Broadway, mas com a autorização dos autores para fazer uma releitura do musical. Assim a montagem de Möeller & Botelho é um novo espetáculo com outra concepção. E como dizem no programa da peça: “um risco”.
O texto de Wedekind é forte e trata de temas como suicídio, abusos sexuais, estupro, homossexualismo, incesto e as muitas indagações que passam na cabeça dos adolescentes. Tudo isso com muita música.

(Malu Rodrigues e Pierre Baitelli: o casal protagonista)

Apesar de todos esses elementos, que a princípio achamos complicado para a montagem de um musical, vimos mais uma vez que a dupla Möeller & Botelho dá conta do recado e surpreende os espectadores.
A produção do espetáculo é muito bem cuidada, com cenário muito prático de Rogério Falcão, boa iluminação de Paulo César Medeiros, belos figurinos de Marcelo Pies, a excelente coreografia de Alonso Barros e ótima direção musical de Marcelo Castro.
Para dar vida aos adolescentes da peça, o diretor Charles Möeller escolheu um elenco jovem, com idades entre 16 e 25 anos, “para que a plateia não duvide que aqueles jovens estejam vivendo aquilo por que passam em cena, muito mais do que representando”.
O foco de O Despertar da Primavera é a adolescência e tudo o que passa na mente desses jovens que vêem as transformações do corpo e o aparecimento dos desejos, numa época em que os pais não tinham tanta abertura com os filhos. Apesar de escrito no século XIX, o texto é atualíssimo, uma vez que muitos dos assuntos ainda são tabus em muitas famílias.



(Rodrigo Pandolfo e Pierre Baitelli)

O elenco é numeroso e os jovens atores dão conta do recado, com atuações seguras e muita afinação nos números musicais e nas coreografias. Claro que num grupo grande, sempre haverá aqueles que se destacam, por isso, e sem desmerecer qualquer ator do espetáculo, vale registrar o trabalho de Rodrigo Pandolfo, ótimo como Moritz Stiefel, Letícia Colin no papel de Ilse e Laura Lobo, a pequena Martha Bessell, que passa muita verdade no número “um escuro sem fim”, simplesmente emocionante. Além destes, destacamos o maravilhoso trabalho de Carlos Gregório e Débora Olivieri, atores veteranos que interpretam os diversos papéis de adultos da história.
O Despertar da Primavera é um trabalho primoroso, realizado com muito carinho, que comprova o talento da dupla Möeller & Botelho e nos deixa cheios de orgulho por constatar que temos ótimos atores para realização de espetáculos deste porte.

domingo, 1 de novembro de 2009

A Geração Trianon


Mais de vinte anos depois da primeira montagem, "A Geração Trianon" está de volta aos palcos cariocas. O premiado texto de Anamaria Nunes é uma comédia sobre uma companhia teatral, cuja sede era o Teatro Trianon, que ocupava o número 181 da atual Avenida Rio Branco no Centro do Rio, na década de 20. Eram os tempos das grandes companhias de teatro, da primeira e segunda atriz, dos cômicos, das personagens ingênuas e do "ponto", um elemento da companhia que ajudava os atores a lembrarem de suas falas.
Certamente, em algum momento da vida, já ouvimos falar do Teatro Recreio, de Procópio Ferreira, Alda Garrido entre outros. "A Geração Trianon" nos leva a conhecer um pouco dessa época quando existiam as companhias com diversas peças no seu repertório. Talvez, caso uma peça não fizesse tanto sucesso, o diretor já tinha outro espetáculo pronto para apresentar ao público. É o que acontece no espetáculo. O empresário da trupe decide retirar de cartaz o espetáculo que fora um fracasso e encomenda um texto às pressas para ser encenado na próxima semana. A correria é geral e a plateia vai acompanhando os erros e tropeços dos atores e o desespero do diretor/ensaiador na montagem nova. É uma peça dentro da peça.
O elenco do espetáculo é composto por 14 atores dirigidos por Luiz Antonio Pilar e Christina Bethencourt que se perdem um pouco, conduzindo o elenco a um exagero desnecessário no momento errado, uma vez que o referido exagero é justificado na apresentação da peça da companhia.
As interpretações são irregulares, mas entre altos e baixos destaca-se o trabalho de Marcio Vito, cujo personagem Mota garante boas risadas.
Os figurinos de Ney Madeira são muito bonitos e retratam bem a época do espetáculo. Enfim, "A Geração Trianon" diverte o público e presta uma homenagem ao teatro, todavia, merecia uma montagem mais bem cuidada.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Miranda por Miranda

Em 2001, Stella Miranda estava internada em um hospital na capital paulista, quando recebeu um telefonema de Miguel Falabella a convidando para participar de um musical sobre Carmen Miranda. Stella recusou o convite devido aos problemas de saúde que estava enfrentando. Algum tempo depois, encorajada pelos amigos, ligou para Miguel Falabella e decidiu aceitar o convite para estrelar o musical South American Way, um verdadeiro sucesso.
Oito anos mais tarde e para comemorar o 100º aniversário da pequena notável, Stella Miranda d’après Miguel Falabella, produz o espetáculo Miranda por Miranda, revivendo o mito que conquistou gerações.
Para a empreitada Stella Miranda arregimentou uma equipe técnica que é um verdadeiro dream team dos palcos: Tim Rescala é o responsável pela direção musical e pelos arranjos do espetáculo que tem cenário de Hélio Eichbauer, iluminação de Maneco Quinderé e figurinos de Rita Murtinho. A coreografia é de Márcia Rubin e os vídeos que são mostrados ao longo do musical são de Samir Abujamra.
Miranda por Miranda é, antes de mais nada, uma grande homenagem que a atriz Stella Miranda presta à personagem que lhe rendeu tantos aplausos e prêmios. Uma homenagem muito carinhosa e muito bem cuidada que encanta o público do início ao fim.
Stella interpreta diversas canções do repertório de Carmen acompanhada pelo bando composto pelos atores-cantores Édio Nunes, Pedro Lima, Raul Serrador e Zé Rescala; e pelos músicos Tim Rescala (piano), Dodô Ferreira (baixo) e Oscar Bolão (bateria).
A direção musical de Tim Rescala é irrepreensível e os arranjos estão maravilhosos, assim como a coreografia de Márcia Rubin e os belos figurinos de Rita Murtinho.
O elenco está muito à vontade no palco, o grupo canta e dança com grande desenvoltura. Stella Miranda, Édio Nunes, Pedro Lima, Raul Serrador e Zé Rescala têm ótimo desempenho vocal e estão em grande sintonia. Todos os números musicais são ótimos; mas gostei particularmente do dueto de Stella com Zé Rescala em “E o mundo não se acabou”. Deu vontade de pedir bis.
Miranda por Miranda é um desses espetáculos que dá prazer em assistir, sobretudo quando vemos a felicidade das pessoas que estão envolvidas no projeto, sabendo que estão oferecendo um trabalho de qualidade ao público. O musical está em cartaz no Teatro SESC Ginástico e a temporada segue até 13 de dezembro. Um programa imperdível, digno de todos os nossos aplausos.
E como diz Stella Miranda ao final da peça: “Viva Teatro. Rio Feliz!”

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Psicopatas - sit down comedy



Em tempos de stand up comedy (comédia em pé) – muito na moda atualmente; Rodrigo Murat fez uma brincadeira com o gênero e apresenta uma “sit down comedy”, ou seja, “comédia sentada” com título bem sugestivo: "Psicopatas". Aliás, a psicopatia tem sido muito explorada na dramaturgia, seja em obras de TV ou teatro. A personagem Flora e suas maldades ainda estão vivas na memória dos telespectadores.
Mas vamos falar de teatro e de comédia, este gênero que atrai a maioria das pessoas. Afinal, rir é o melhor remédio, seja em que tempo for.
Psicopatas”, escrita e dirigida por Rodrigo Murat, é uma comédia de costumes que brinca com a psicopatia e tudo relacionado ao tema. A peça é composta por pequenos sketches onde os personagens, reunidos num Congresso para Jovens Psicopatas, relatam os dramas e as dificuldades que enfrentam no cotidiano.
Encenada no Espaço Rogério Cardoso da Casa de Cultura Laura Alvim, “Psicopatas” é um espetáculo com altos e baixos. O texto de Rodrigo Murat não é ruim, tem alguns trechos engraçados, muitas referências a assuntos atuais e personagens que estão em evidência nas revistas. Enfim, tem os componentes que levantam qualquer comédia. Porém, muitas vezes o texto não atinge o objetivo, justamente por querer ser engraçado demais. Dessa forma, algumas piadas ficam totalmente perdidas e a peça não “decola”.
Na sua estréia como diretor, Rodrigo Murat tem a difícil tarefa de conduzir um elenco irregular, sem ritmo e espontaneidade para comédia. Do quarteto composto por Lívia Mantovani, Laura Prado, Ícaro Salek e Beto Malvão, apenas Laura Prado tem atuação satisfatória.
Como a peça estreou no último dia 16 e, segundo o diretor, trata-se de um “work in progress”, desejamos que os ajustes sejam feitos e que os “Psicopatas” ataquem.

sábado, 24 de outubro de 2009

Ziriguidum - Cubango 2010

Festa de apresentação dos protótipos das fantasias da Acadêmicos do Cubango para o carnaval 2010.

(aguardando o início da festa)


Estamos em outubro, mas nas quadras das escolas de samba o carnaval 2010 já começou desde julho, quando começam as eliminatórias para escolha dos sambas de enredo. Com os sambas já escolhidos, chega a hora de apresentar os protótipos das fantasias. Apesar de ser Portela desde os tempos de criança, nos últimos quatros anos desfilo na verde e branca de Niterói, a Acadêmicos do Cubango, escola do Grupo de Acesso A.

No último dia 13, a Cubango fez uma bela festa para apresentar os protótipos das fantasias do enredo "Os loucos da praia chamada saudade", do carnavalesco Milton Cunha (comigo na foto abaixo).

A Cubango foi campeã do carnaval do Grupo de Acesso B e em 2010 vem com tudo, rumo ao Grupo Especial: um samba caprichado, um enredo que promete loucuras na avenida e uma bateria afinada, completamente enlouquecida!!!!As fantasias estão muito bonitas e bem acabadas, tem de tudo: médicos e loucos...

(A Presidente da Ala dos Universitários, Neuza Moysés (de pé), e ao meu lado Rosane Machado)

No vídeo vocês poderão conferir as duas fantasias da Ala dos Universitários: "Médicos" e "Loucos". Neuza Moysés: eu vou de médico, pois já vivo como louco o ano inteiro...

video

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Festa de Família

Cada vez mais me dou conta de que o tempo anda voando. Já faz 14 anos que assisti "Festa de Família", filme sensação do manifesto Dogma 95 do cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg. O tempo passou e o filme foi adaptado para o teatro, ganhando montagens pelo mundo.
Aqui no Brasil Bruce Gomlevsky tomou para si a responsabilidade de produzir, dirigir e fazer o papel central do espetáculo que ficou em cartaz no CCBB e depois no Sérgio Porto até poucos dias atrás.
Assim como a versão cinematográfica, a adaptação teatral esteve comprometida com os valores do Dogma 95, ou seja, apenas o básico para apresentar a história. A força está na atuação.
O cenário era composto apenas de um conjunto de mesas formando um quadrado, um piano e alguns praticáveis. Um detalhe interessante: parte do público podia sentar-se à mesa junto com os personagens da peça. Eu fiquei, literalmente, dentro da cena.


(Bruce Gomlevsky e Jaime Leibovitch - boas atuações)


"Festa de Família" é, antes de mais nada, um grande drama familiar; uma história seca que machuca o mais insensível dos espectadores, tratando de temas como abusos sexuais, pedofilia, suicídio, racismo e violência entre casais.
Na festa de aniversário do patriarca da família, o filho mais velho denuncia os abusos sexuais que ele e sua irmã gêmea sofreram na infância. Diante disso, o clima fica insustentável até a revelação final de que os atos eram praticados pelo pai, o homenageado da noite.
A direção de Bruce Gomlevsky foi muito cuidadosa, mantendo o clima tenso, o jogo de aparências e o incômodo entre os personagens no tom certo. O elenco é numeroso - 14 atores - e está uniforme, não cabendo destacar esta ou aquela atuação.
A peça vai excursionar pelo Brasil a partir de novembro e se passar pela sua cidade, não deixe de assistir, vale a pena.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"Causos" e Fotos - Brasil Rural Contemporâneo - VI

Faz tempo que não curtia um evento como o Brasil Rural Contemporâneo. Uma feira onde foi possível ter uma dimensão da grandeza do nosso país e da riqueza da nossa terra. Provei diversos sabores e me aproximei de pessoas que jamais pensei conhecer. Falar com os expositores, ouvir os seus "causos" me fizeram um grande bem e renderam muitos posts aqui no blog. Agora é com vocês, leiam e divirtam-se!

Passei quase o dia inteiro na Feira. A bolsa de algodão cru com estampa das "Quebradeiras de coco babaçu" foi brinde do INCRA.

A escolha da Marina da Glória foi um grande acerto para realização do evento. Agora vamos torcer para que o evento retorne no próximo ano. Nós, os cariocas adoramos e já estamos saudosos!

Encontrei com Rosane e sua mãe, D. Dalvinha, devidamente protegidas do sol, elas adoraram a Feira e, assim como eu, torcem para que o evento retorne ao Rio em 2010.

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